sem aspas
textos, viagens e letrificações


Quarta-feira, Dezembro 26, 2007  

Eu vi o mundo. Vi o mundo de perto. Suas texturas, suas ranhuras, suas cores, amores, agonias. Eu vi as vidas e os gestos, suas obras e destroços, tantas, tantas cidades. E entendi alguns motivos. E também rejeitei outros. Me entreguei aos lugares puro e livremente, como se eu nao possuísse um meu. (Talvez realmente não possua).

Vendo o mundo eu era toda surpresa, era feito criança, mal sabia por onde começar. Temi não conseguir guardar tudo aqui dentro - era beleza demais, informação demais, um universo de novas sensações. (Será que cabe tudo isso nas minhas gavetas da mente?) E esse medo me fazia ansiar por tudo: queria escrever, desenhar, fotografar, carregar um pedacinho de papel, abraçar as folhas, beijar o vento, sentir o sol morno me tocar, parar o relógio, prender aqui dentro o frio, na esperança dele poder ficar mais um pouquinho comigo. Eu queria estender o calendário. E o tenho feito, na minha saudade.

Desejei o mundo, enquanto estive com ele. Enchi os olhos de lágrimas, em alguns momentos, e a boca de sorrisos, em tantos outros. Vivi. No mais repleto sentido da palavra. A maioria do que presenciei é indiscritível, por isso as fotos. O restante, ainda me faltam palavras. E mesmo que me esforce, nao sei se elas serão fiéis às lembranças.

Ainda que meus olhos, sedentos, tenham sido doces ou gentis por demais, hoje eu sou toda encanto (além de saudade). Abri com cuidado o embrulho do mundo, e amei o presente. Descobrir nos escancara o novo. E ainda não conheci sensação melhor.

Sinto, de verdade, como se tivesse acontecido uma reforma na minha alma: refiz a pintura, troquei alguns móveis, acrescentei novos quadros. Guardei o que se foi. A estrutura da casa permanece basicamente a mesma. Mas não há como negar: olhando por dentro, ela é outra.

posted by CAMILA LORDELO | 3:48 PM
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