sem aspas
textos, viagens e letrificações


Terça-feira, Setembro 02, 2008

Aeroporto de Recife, 2h AM

Gosto da sensação de aeroportos. Não a de avião, esse me dói. (Tenho uma aversão estranha a pousos, pouco antes que eles comecem, invariavelmente meus ouvidos me viram uma tortura). Mas da sensação de aeroportos eu gosto. De saber que, assim como eu, há tantos também partindo. Para um novo destino, uma nova vida, para uma visita rápida, férias, trabalho, que seja. Me sinto mais segura com essa sensação: é como se cada uma das pessoas que passam por mim com suas malas e tickets me dissessem para ficar tranqüila, elas estão no mesmo barco. A coragem me toma nos aeroportos e daí eu até penso em planos de vôos mais altos. Me sinto mais leve e com asas maiores. Sorrio. Ando como se conhecesse bem o chão que piso, mesmo sendo a 1ª vez nele. Mesmo estando sozinha, me sinto de mãos dadas. Caminho confiante, como quem sabe para onde está indo – embora, algumas vezes, isso se resuma a saber o nome da cidade. Aeroportos me abrem as portas dos sonhos e essa sensação é, para mim, um agrado na vida. E, embora a dor que eu sinta nos ouvidos antes dos pousos seja irritantemente grande, nada me tira esses ares de possibilidades que carrego, junto com as malas, quando saio de cada um deles.

posted by CAMILA LORDELO | 4:38 PM
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Quarta-feira, Agosto 13, 2008

Notícias

Saí tão às pressas, nem deixei bilhete. Viajei a trabalho e estarei longe até outubro. A distância me faz sentir mais. O trabalho, escrever menos. Hora dessas eu concilio os dois e sacudo um pouquinho essa poeira de sentimentos em mim.

Por enquanto, tudo bem. Aprendendo com a solidão, conhecendo novas almas, fazendo amigos, me defendendo e me espalhando para ter o meu lugar. Sinto saudades, mas vamos lá: economizo no drama (evoluindo!). Já se passaram 3 semanas. As próximas 7, tomara, vão passar tão rápido quanto. ; )

Já, já novas linhas virão!

beijos!

posted by CAMILA LORDELO | 12:38 PM
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Terça-feira, Junho 17, 2008

With a little help from my friends

Meu Deus, como tenho sorte nessa vida. Eu olho para os lados e ganho sorrisos e abraços sem ao menos pedir. Eu ganho olhares sinceros, ganho ouvidos atentos, ganho mãos estendidas e carinhos de corações. Eu recebo palavras doces, e também duras, mas que contém ainda assim tanto de doçura. Tenho amigos. Amigos que não cabem nos dedos não por serem muitos, mas por serem grandes. São inteiros, são completamente, quando precisos. São alegria, companhia, força, conselhos, palavras, são tudo. Tenho amigos fiéis, verdadeiros, alguns distantes, outros mais pertos, pelos quais sinto um amor, um amor, mas um amor tão grande que me emociona só de pensar em declará-lo. Meus Deus, como eu tenho sorte. É como se por puro acaso os anjos escorregassem para o meu lado. Eu sei lá se tenho tal merecimento. Como pessoas tão especiais podem se achegar a mim? É involuntário, sem pretensões. É divino, tenho certeza. Meus amigos me acontecem sem que eu espere, quando vejo já estão lá enraizados, correntes em meu sangue. E assim como no amor, quando amo, amo infinitamente, amo verdadeiramente, defendo com toda a força que tenho, protejo até onde posso, guardo por todo um sempre. Sou incondicional, invariável, permanente. Me sinto completa, mesmo se vazia. Me sinto forte, mesmo quando fraca. Me sinto mais gargalhada, mais viva, mais terna; perco, com todo o prazer do mundo, o tempo que tiver de se perder - na verdade, ganho.

Meus amigos, meus complementos de alma, minha endorfina constante, meu melhor abraço, endereço de minhas alegrias, meus presentes de Deus. Tenho que ser uma boa menina. Tenho que me esforçar todas as horas de todos os dias. Muito, infinitamente. Não posso, por nada nesse mundo, perder este merecimento.

Amo todos vocês.

posted by CAMILA LORDELO | 11:49 AM
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Segunda-feira, Maio 19, 2008

Ai, eu ando um caco.
Desfaleço por dentro
E por fora sôo nada robusta:
Não disfarço.
Um trapo.
Colecionando lenço molhado.
Lata no meio da rua
De cara pro atropelo
Caixa de correio vazia
Segredo sem zelo
Um punhado de sal invadido
Por um mar inteiro.
Um rato.
Procurando abrigo, alento,
um canto, bueiro.
Sem tato.
Sem trato.
Sem freio.

posted by CAMILA LORDELO | 3:58 PM
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Terça-feira, Maio 06, 2008

(embora não o faça direito)

Tenho medo de quase nada
Embora tanto pareça assustada
Quando me vem a escuridão
É mais forte o que tenho aqui dentro
É mais denso o que me sustenta
Venha sopro, brisa, tempestade,
furacão.

Aprendi a digerir o que me assombra
A prender as inseguranças nas grades
que pela vida me foram cedidas:
as linhas.
É nelas que eu me transbordo
É por elas que eu me entendo
me componho, me defendo
e acredito mais em mim.

O papel em branco é a minha pauta,
É para mim, assim, como um trevo.
Escrevo porque respiro
Respiro porque escrevo.

posted by CAMILA LORDELO | 6:58 PM
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Quinta-feira, Abril 17, 2008

socorro

Iodo, gase, éter, uma linha, correndo, correndo, costurem! Anti-hemorrágico, soro, lavagem, oxigênio; cirurgiões, enfermeiros, residentes, milagreiros! Morfina! Sangue tipo A, tipo B, tipo O, qualquer tipo. Entubação, massagem cardíaca, desfibrilação, o que for possível...

Por Deus.

Por tudo.

Não deixem esse amor morrer.

posted by CAMILA LORDELO | 10:31 AM
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Segunda-feira, Abril 14, 2008

riminha

Escrevo
Enquanto vejo
A bailarina decifrar a canção
Dança ela com os dedos do pé
Danço eu cá com os dedos da mão

posted by CAMILA LORDELO | 11:49 AM
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Quarta-feira, Março 19, 2008

Fraqueza

Preciso da calma do simples
do que é e pronto
sem muitos rodeios
preciso calar essa agonia maluca
meu olhar sempre à caça
meus cortes sem freios

um meio termo, que seja
brandura no bruto
preciso de um meio
não importa quão for a grandeza
lá vem minha crítica
saltar o imperfeito

e isso ainda assim
sabendo eu
ser desse jeito
torto, primário, errôneo
tão cheia de defeito

p-e-r-f-e-c-c-i-o-n-i-s-m-o
insensível e inconsciente
obsessão

(Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!)

eu bem sei desse peso
mas no impulso da hora
pareço que não

posted by CAMILA LORDELO | 7:30 PM
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Quinta-feira, Março 13, 2008

Mil enredos

Assim assado mesmo, não repare a falta de clareza: quero definição apenas onde, por agora não, posso ter. Um brinde aos desejos bêbados que vêm, outro às certezas sóbrias que também virão! Ansiosamente, amém. (Parênteses: eu já falei da cor dos seus olhos, de como eu amo encontrar cada dia um tom diferente? Escala pantone! Luz refletindo em seu rosto, me ocorreu. Fecha parênteses.) O que eu sei por hoje, sentada nessa calçada, é que a noite é tão linda e tão rara, apesar de acontecer todo dia, escondida, calada, murcha, coitada, por trás de nossas cortinas, em frente à nossas janelas. E nossa pressa que roubou essa nobreza. E essa agonia que se acumula nas agendas, e despeja as linhas dos versos para pôr no lugar linhas cheias de compromissos. Pausa. Pausa. Um olhar sobre as unhas e mais um gole. Se você quer saber a verdade, eu choro, eu acho, por tudo: pela distância que há dentro do estar perto, pelas reticências deixadas feito migalhas atrás de nossos passos, pela falta de poesia das coisas, poesia essa que eu não escrevo quando mais devo. Ou apenas por intensidade, mania de drama, sensibilidade mal canalizada, falta de academia. E, olha, esse papo já está louco demais, a hora tarde demais e, convenhamos, essa garrafa bastante vazia.

posted by CAMILA LORDELO | 7:13 PM
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Quarta-feira, Fevereiro 27, 2008

Precipitando

Diluir o medo
Solidão rondando
Entre beijos e juras e telefonemas
Um vazio insiste em pairar
No ar

(Achei que a poeira
tivesse assentado
- Tudo errado! -
Vontade de escancarar a janela
E o coração).

Como fazer agora que já sou você?
Como fazer se os lençóis já são para dois?
Cortar-me em meia
depois de ser inteira
O vinho sobrando na geladeira
E o amor
O amor
Inconsolavelmente
Ainda amor

posted by CAMILA LORDELO | 12:05 AM
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Quinta-feira, Fevereiro 07, 2008

Sou uma eterna procura
Agulha no palheiro
Abrigo em temporal
jornal de empregos
Sou o desejo que corre
Sorrindo coisa maluca
E que por tanta velocidade
Vive em foto de multa
Deve haver freio
Um meio
De parar em teus braços
Eu sou o sentimento de agora
Querendo pular, sufocado,
Do peito pra boca
Da boca pra fora

posted by CAMILA LORDELO | 7:38 PM
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Segunda-feira, Janeiro 14, 2008

Não se assuste, pessoa...

Embora o trânsito insista que não; que a pressa me impeça; que a montanha de trabalho tente me barrar; embora o sol esteja lindo no céu e o escritório um gelo; ainda que os telefones e relógios não parem e o dia 20 se aproxime; mesmo que sua calma se confunda, às vezes, com o desânimo; por mais que a pele insista em expulsar o que a boca não consegue fazer; eu desço o vidro do carro, eu ergo minha arma pra luta, fecho os olhos pra sentir o mar cá de cima e não me rendo, não me desprendo do sorriso nem da canção que se faz hino aqui dentro: “eu sou, eu sou...eu sou o amor da cabeça aos pés.”

posted by CAMILA LORDELO | 4:02 PM
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Quarta-feira, Dezembro 26, 2007

Eu vi o mundo. Vi o mundo de perto. Suas texturas, suas ranhuras, suas cores, amores, agonias. Eu vi as vidas e os gestos, suas obras e destroços, tantas, tantas cidades. E entendi alguns motivos. E também rejeitei outros. Me entreguei aos lugares puro e livremente, como se eu nao possuísse um meu. (Talvez realmente não possua).

Vendo o mundo eu era toda surpresa, era feito criança, mal sabia por onde começar. Temi não conseguir guardar tudo aqui dentro - era beleza demais, informação demais, um universo de novas sensações. (Será que cabe tudo isso nas minhas gavetas da mente?) E esse medo me fazia ansiar por tudo: queria escrever, desenhar, fotografar, carregar um pedacinho de papel, abraçar as folhas, beijar o vento, sentir o sol morno me tocar, parar o relógio, prender aqui dentro o frio, na esperança dele poder ficar mais um pouquinho comigo. Eu queria estender o calendário. E o tenho feito, na minha saudade.

Desejei o mundo, enquanto estive com ele. Enchi os olhos de lágrimas, em alguns momentos, e a boca de sorrisos, em tantos outros. Vivi. No mais repleto sentido da palavra. A maioria do que presenciei é indiscritível, por isso as fotos. O restante, ainda me faltam palavras. E mesmo que me esforce, nao sei se elas serão fiéis às lembranças.

Ainda que meus olhos, sedentos, tenham sido doces ou gentis por demais, hoje eu sou toda encanto (além de saudade). Abri com cuidado o embrulho do mundo, e amei o presente. Descobrir nos escancara o novo. E ainda não conheci sensação melhor.

Sinto, de verdade, como se tivesse acontecido uma reforma na minha alma: refiz a pintura, troquei alguns móveis, acrescentei novos quadros. Guardei o que se foi. A estrutura da casa permanece basicamente a mesma. Mas não há como negar: olhando por dentro, ela é outra.

posted by CAMILA LORDELO | 3:48 PM
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Quarta-feira, Novembro 14, 2007

Finalmente férias de verdade ou Here I go!

Vou ali viver e volto já. (Não me demoro, apesar de querer). Vou permitir aos meus olhos um pouco do novo, corar minhas bochechas mais um tantinho, tremer de frio, tratar de infestar minha cara de sorrisos - e a memória, de lembranças.

Inté já! (iupis, iupis)

posted by CAMILA LORDELO | 5:55 PM
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Domingo, Novembro 04, 2007

um violão e muita saudade



O nome dele era Bem
E era um bem
Por inteiro
O sobrenome era vida
era amor
de joelhos
pena eu não ter dito adeus
te dado um abraço
daqueles que não se desfaz
olho as fotografias
rimo palavras choronas
quanto tempo já faz

era minha certeza de domingo
minha fé em presente surpresa
era o sorriso do mundo
a prova de que os anos
não corrompem pureza

O nome dele era Bem
Nosso maior bem
Tanta saudade me dá

‘Chore não, meu bem’
- ele diz,
se juntando ao meu canto -
‘Um dia a gente se encontra
E aí você me conta
Como foi crescer tanto...’

posted by CAMILA LORDELO | 11:36 PM
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Quinta-feira, Outubro 25, 2007

rainha dos foras

tento que as palavras
que coloco no papel
sejam sempre de primeira
porque as que saem da minha boca
ave maria
tão sempre fazendo besteira

posted by CAMILA LORDELO | 10:46 AM
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Quarta-feira, Outubro 10, 2007

pensamentos noturnos

Tenho medo do tempo e me prendo às pernas do relógio como criança às pernas da mãe. Ele passa e tanta coisa se perde, tanta coisa se vai, e eu assim, tão querendo abraçar tudo. Temo o tempo inteiro em não te ter mais, ou não tê-la mais, em nos perdermos, temo o tempo inteiro ficar no passado o que eu quero também pro futuro, temo que tudo isso passe simplesmente, sem que minhas mãos consigam segurar, sem que consigam se livrar da vaselina enquanto as coisas escorregam, os momentos escorregam, os sorrisos escorregam, as canções escorregam, os apegos escorregam e eu nada posso fazer. Temo que a saudade seja um buraco enorme na minha alma, um buraco que não haja com o que eu preencher. Temo que o momento de agora virando lembrança me seja daquelas coisas boas que doem, e que por doerem, eu já quero que não. Eu temo muito, nesse momento, é escuro agora e se eu não abro os olhos neste exato instante, exatamente nesse instante, quase que piamente acredito em tanto, tanto medo dentro de mim.

posted by CAMILA LORDELO | 12:22 PM
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Segunda-feira, Outubro 01, 2007

por favor, diga que já é novembro

Tem dias que eu queria ser herdeira
A primeira
A ganhar na megasena da semana
Tem dias que eu queria papo pro ar
Papo com um par
Água quente nos pés e gelada na garganta
(Vodcka com fanta
Pra ficar ainda mais barato)

6 meses sem sentir o sol na pele
2 semanas sem te ver
alguns segundos apenas sem pensar
em títulos
ou filmes pra TV

hoje eu quero meu agora
me despir, me despedir
por pelo menos umas horas
soltar os cabelos
arrepios nos pêlos
Há vida demais me esperando
lá fora

posted by CAMILA LORDELO | 11:45 AM
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Terça-feira, Setembro 18, 2007

autodefinições


sincera

gosto de pele à mostra. arranco com os dentes toda e qualquer veste das minhas palavras, antes que me saiam da boca.

desconfiada

tenho um pé que não acompanha o restante do corpo.
está sempre atrás.

dramática

já nasci chorando. economizei o tapinha do médico e só parei, inocente e obviamente, com a saída do público.

explosiva

meus sentimentos são elementos químicos em constante reação.

sedenta

como se a necessidade fosse não do corpo, mas da alma.

sensível

coleciono ciscos nos olhos.
há sempre uma lágrima por derramar.

sentimental

há amor demais aqui dentro. por isso tanto me dôo.

posted by CAMILA LORDELO | 10:39 AM
com aspas:


Terça-feira, Setembro 11, 2007

sou mãe

Estava no consultório médico, à espera da minha vez. Uma mulher grávida se sentou ao meu lado, uma barriga enorme, linda, a embalagem de um presente. Sorri por admiração e cordialidade. Ela retribuiu, puxou papo, era menina. Não me contive em ver tamanha alegria em seus olhos e perguntei qual seria o nome. Poema, ela disse. Minha alma ficou toda encanto. Poema. Nunca conheci alguém chamado assim! É lindo, lindo, lindo. Ela agradeceu. Pus a mão em sua barriga e pude sentir a vida ali, já quase batendo na porta. Permaneci em silêncio, ainda sorrindo. Em poucos dias, Poema nasceria. Achei graça da delicada coincidência: por quantos desses partos não já passamos todos nós.

posted by CAMILA LORDELO | 10:26 AM
com aspas:


Segunda-feira, Setembro 03, 2007

Minha poesia, malandra
Quer teu olhar a todo custo
Se enfeita, ninfeta
Passando a língua nos lábios
Minha poesia, sedenta,
Sapateia sobre os desejos
E escorrega macia
Em ouvidos amantes
- Errante! praguejam
- Repleta! replico
Minha poesia apenas ama
E clama
Por desordem em pensamentos
noites
e lençóis.

posted by CAMILA LORDELO | 12:03 PM
com aspas:


Quinta-feira, Agosto 09, 2007

romântica (e) extrema

Amo-te com carinho
Amo-te com
e sem razão
Amo-te com loucura
Com quentura
Sem postura
Amo-te com imensidão

Amo-te em primeira
e segunda pessoa
Amo-te com próclise
E também com clichê
Amo-te com toda a força
Que a um amo-te
Poderia caber

Amo-te com cifras
Com rimas
Amo-te com sonho
E com beleza
Amo-te puro
Amo-te todo
E amo-te,
acima de tudo,
com certeza.

posted by CAMILA LORDELO | 7:04 PM
com aspas:


Quarta-feira, Agosto 01, 2007

[um pouco de riso
ou fim de mês, análises, análises]


Com uns 5, 6 anos eu jurava, jurava que jamais conseguiria escrever a letra a. Nunca vou conseguir, não adianta, mamãe. Pouco tempo e insistências maternais depois, minhas palavras corriam soltas. Mais ou menos na mesma idade eu jamais conseguiria andar de bicicleta sem rodinhas. Não consigo, não consigo, não adianta mais tentar, vou ter 30 anos e andar de bicicleta de rodinhas - não muito depois e eu já estava lá, no alto, me aventurando em ladeiras, desejando mobiletes. Eu tinha certeza plena, absoluta que jamais me curaria do piolho, aos 7; aos 8, que eu teria medo do ralo da piscina forever, aos 11 que nunca beijaria na boca, aos 18 que nunca amaria de verdade, aos 20 que era destino fatídico eu não conseguir aprender a dirigir. E a tudo isso sucedeu justo o contrário, como sempre.

Longe de mim trapacear o destino. Mas eu acho que nunca, nunca vou conseguir ganhar na loteria.

posted by CAMILA LORDELO | 3:56 PM
com aspas:


Segunda-feira, Julho 23, 2007

rimas, rumos

tenho nos dedos um quê
de poesia livre
um quê
de poesia triste
fumantes eternas
do último cigarro

minhas palavras têm liberdade
minhas liberdades têm palavras
correm insones por minhas ruas
estes tantos papéis

não freiam
não desaceleram
imploram ferventes
por um sim

vez em quando loucas,
algumas poucas
colidem
e se
des
pe
da
çam
aqui dentro de mim

posted by CAMILA LORDELO | 5:42 PM
com aspas:


Quarta-feira, Junho 06, 2007

diário de bordo

Aconteceu, então, um milagre: uma semana de férias (me belisca). Mergulhei no primeiro destino que me foi possível sem qualquer hesitação - apenas um enorme desejo de vida. E cheguei a Gramado, no sul do país. Uma doçura me tomava pelos poros a cada centímetro cúbico de ar respirado, a cada passo que eu dava sobre aquele chão, tudo tão lindo, tão diferente. Brindei com taças de vinho e xícaras de chocolate quente, comi como se estivesse alimentando também minha alma, ouvi atenta às palavras que a vida soprava mesmo quando em silêncio. Folhas, vento, neblina e os meus pensamentos. Quem coloriu aquela árvore ali de amarelo? Mal usei blush, bochechas rosadas full time. Fumei o cigarro do tempo frio, pintei quadros com os olhos, fotografei com o coração. Aquele mundo de verde, aquele tanto de vida, as pessoas vivendo em pares, pés e pescoços quentinhos, casinhas de madeira com plaquinhas do tipo "nosso querido lar" (risos), tudo me contagiava (tenho essa incessante mania de me apaixonar perdidamente por todos os lugares que visito, querendo pertencer a todos eles). Gramado me transbordou o sorriso, puro e simplesmente. Me renovou as esperanças. E foi numa tarde cheia de vento e temperaturas baixas que eu me despedi daquela cidade terna, oscilando, com o olhar reticente, entre morrer de frio e de saudade.

posted by CAMILA LORDELO | 9:58 AM
com aspas:


Segunda-feira, Junho 04, 2007

(republicando, gosto tanto).

Old one

Esse vazio não passa. Não deixei de comer o que o médico mandou, não me aborreci, não fumei, não transei, não fugi, não tentei. Mas ele não passa. Segui as suas prescrições, os seus conselhos, vivi as suas intenções, dobrei os meus joelhos, mas ele continua, não passa. Fechei a minha porta e abri meu coração, colhi meus rastros soltos, compus poemas loucos, neguei meu próprio não. E ele, ali. Ouvi os velhos discos, gastei as horas, ardi os olhos nos livros, mandei-o embora. Fiz minha voz, de si a dó totalmente rouca. E desesperadamente, permanentemente, o maldito, já dito, não passa. Que louca. Rasguei então as flores, fumei horrores, bebi, bebi, estalei todos os dedos, menti, menti, abracei-me aos velhos medos, caí. E num ato de desacato, com um punhado de nomes baratos, gritei com o lustre da sala. Mas a coisa não fala. E continua ali.

Saco, me enchi.

posted by CAMILA LORDELO | 7:05 PM
com aspas:


Terça-feira, Maio 01, 2007

Sobre palavras e asas

Medidas não são o meu forte
Limites me acuam
Porque já os tive
Ritmo é o que me rege
Verso em mim só tem parto
Se for pra ser livre

posted by CAMILA LORDELO | 9:54 PM
com aspas:


Sexta-feira, Abril 20, 2007

clichê tão sincero

Dirijo pelas ruas assistindo distraidamente às pressas e andanças alheias. O farol assopra um vermelho. Freio. Como não poderia deixar de ser, ela está lá: a miséria. Tem o corpo frágil, moreno, mãos estendidas, uma barriga que ronca e olhos que gritam. Os meus silenciam - embora tanto tenham a dizer. Ela me implora numa tristeza iminente por moedas, eu querendo lhe dar esperanças. Fraquejo, hesito. Toco no vidro fechado ensaiando um apoio, ela se apressa, como quem perde tempo e também vida. Penso. O sopro agora é verde e os carros aceleram novamente, indiferentes, seguindo suas direções. Ainda parada me pergunto se nós, por acaso, sabemos mesmo para onde estamos indo.

posted by CAMILA LORDELO | 4:01 PM
com aspas:


Terça-feira, Abril 10, 2007

domando instintos ou tentando poesia

A minha poesia grita
O silêncio que minha alma guarda
Não me dôo em doses restritas
Sou o oposto da calma

Tudo aqui dentro borbulha
Tudo aqui dentro implode
As palavras se atiram da boca
Salvando-se como podem

Um desmoronamento,
Mas doce
Uma falta de paz,
Mas serena
Sou forte,
embora sensível
E grande,
embora pequena.

posted by CAMILA LORDELO | 5:48 PM
com aspas:


Quinta-feira, Março 15, 2007

...

Procuro algo além do canto: eu quero a letra. Procuro algo além do beijo: eu quero a alma. Não me bastam as mãos, eu quero o enlace, não me acalmam os olhares, eu preciso das palavras, preciso das palavras-flecha inflamadas com amor. É constante essa vontade de mais, porque tudo aqui dentro é tão grande e carece de se preencher, ou porque tudo aqui dentro é tão pequeno e deseja crescer mil vezes mais (fica a dúvida enquanto não faço ultrasom da minha alma). Entenda que o silêncio me cala apenas os lábios - os pensamentos continuam fervilhando, pedintes, feito crianças em recreio. Por isso eu te peço pra ficar um pouco mais, dizer um pouco mais, respirar intensamente, me acontecer outra vez. Não que eu queira o infinito, não me ouso a tanto. Eu só não busco medidas, não desejo em porções, não quero o ponto. Prefiro, num sorriso aberto e peito tranquilo, as reticências...

posted by CAMILA LORDELO | 1:36 PM
com aspas:
idos
colírio para a alma