Quarta-feira, Junho 10, 2009
beicinho (ou saudade ou confissão)
Viver como
Sem carinho?
Viver como
Assim sozinho?
Coração é coisa que bate
Mas não gosta
De doer
E o meu é um cão que late
E rosna
Mas quer dizer
Viver como sem você?
Viver como sem você?
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6:50 PM
com aspas:
Sábado, Junho 06, 2009
Canção pós Caetano
Saí abraçando os cantos
Ouvi Caetano,
Ouvi Caetano
E tudo aquilo
Foi tão into me
Dancei nos arcos
Das palavras, Lapa
Sorri com Irene
Num disco voador
Pulsei a batida
Da Base de Guantánamo
Estendi a mão
Ao Cristo Redentor
(e o tirei pra dançar)
Uma força estranha,
alma!
Clarão na Concha,
palmas!
A chuva queria
Mas não ousaria
Ria, menina da Ria,
É Caetano...
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11:35 AM
com aspas:
Terça-feira, Maio 19, 2009
[frame de filme]
Feito cais,
sempre à espera
Inda nem é primavera
E eu desejando
o perfume das flores
E as cores, e as cores
Que um dia
Ele pintou
Quanta saudade
essa alma carrega...
Quanta agonia
Esse silêncio encerra...
Por onde andará
A vontade dos olhos meus?
Nos outros?
Nos livros?
Nos teus.
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5:53 PM
com aspas:
Terça-feira, Maio 12, 2009
A foto que eu não tirei
Rio de janeiro, 01/05/09
Era calçada, era dia de sol, eram pessoas sorrindo, passeando por Copacabana. E eu. Nessa mesma calçada de passos caminhando para algum lugar, havia o que não foi a nenhum: um menino pobre, sujo, descalço, sem blusa, estendido no chão. Não fosse a respiração e a indiferença das pessoas, diria que não estava mais nesse mundo. Foram segundos essa minha visão: estava atrasada, em companhia de uma amiga, mas não pude passar sem deixar que me doesse a alma. Parei o mundo no meu olhar. Era um menino pobre, sujo, descalço, sem blusa, estirado no meio do caminho das pessoas. Era dia e ele dormia. Ou só tentava não existir. Sobre o seu pequeno peito, o meu choque: uma chupeta de bebê, próxima a sua mão. Uma chupeta. Mais alguém estava vendo aquilo, meu Deus? Eu quis falar: gente, é só uma criança, vejam! Impulso de alguma inocência que me resta. As pessoas e suas pressas, o menino estendido e a única lembrança de que era, ali, uma criança precisando de amor. Eu vi um fato, vi uma foto e muita tristeza. Não tinha nada, o menino, provavelmente nem destino, nem esperança. Apenas aquela lembrança em seu peito de que era, ainda, apesar da miséria que lhe rondava, da fome que lhe dilacerava, da dor da indiferença que lhe comia, dos erros que suas pequenas mãos teriam cometido, um ser indefeso – mesmo que os fatos reais não mais o definissem assim.
Caminhei os meus próximos passos arrastando o pensamento. E apesar de saber que há disso em toda esquina, chorei, desolada. Feito o menino: feito criança.
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6:49 PM
com aspas:
Terça-feira, Maio 05, 2009
No pensamento
Beijo é carinho de língua. A língua é a mão da boca. Lábios são prenúncios em forma de maciez, portas que se abrem para o céu (da boca) - que mesmo sem estrelas, também guarda o infinito (quando em momento de beijo). Respirar é borrifar no ar o perfume de amor que está nascendo logo ali embaixo. No abraço suave de seus corpos, as línguas se dizem muito numa mudez de palavras que exclamariam ao máximo, se tivessem voz. Beijo é carinho de língua. A língua é a mão da boca. E essas definições me fizeram passear pelos pêlos um arrepio gostoso...
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2:24 PM
com aspas:
Segunda-feira, Abril 20, 2009
Alguém só de passagem
Eu falo demais, ele de menos. Eu transbordo, ele recolhe. Escancaro. Ele ainda mistério. Eu sorrio as canções que sei, comento de um show, divido sonhos antigos, rio com uma piada qualquer. Ele observa. Toca. E boceja.
Mais um copo. (Minha sensação é que eu existo demais. Me sinto julgada a todo instante, pelo meu excesso de mim, de vontades de vida, pelas enumerações. Descabida, será?). Ele não se expressa muito, apesar do sorriso. A luz se mantém acesa, nenhuma costura de fato acontece. E a gente se diz que é, já está mesmo tarde.
Para nossas bocas, beijo. Só. Todo o resto entre nós é silêncio.
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11:50 AM
com aspas:
Terça-feira, Abril 14, 2009
Wishlist
Se eu soubesse tocar violão
Se eu soubesse lidar com a espera
Se eu morasse algum tempo em Paris
Se eu terminasse todos os livros que começo
Se eu realmente me despedisse
Das pessoas das quais me despeço
Se eu tivesse mais calma
Se eu fosse menos alma
(Não, isso nem pensar)
Se eu me alimentasse melhor
Se eu tivesse menos medo
Se eu tivesse menos dedos
Nessas pequenas grandes coisas
Da vida
Talvez eu fosse
(ainda?)
mais feliz
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4:59 PM
com aspas:
Segunda-feira, Março 30, 2009
(a pedidos ludescos*)
não sou dessas que passam
e arrancam dos homens
um meu deus do céu
nem sou dessas que inspiram
comentários malícia
atraindo feito mel
vim maior por dentro
cá por fora, assim pouca
o que de melhor há em mim
não escondo
debaixo da roupa
e não que eu desdenhe a beleza
muito pelo contrário
também me atrai essa arma
mas é que na falta de corpo
o meu Deus caprichou
no que trago na alma
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12:36 PM
com aspas:
Sexta-feira, Março 20, 2009
lembrança viva
saudade do corpo
a noite me arde
vontade que chega
me arrancando os lençóis,
me trancando em urgências
saudade do beijo
do peso
do cheiro
da certeza que era
adormecer
em seus braços
plena
amada
suave
contando no escuro do nosso teto-céu
milhões de estrelas
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11:38 AM
com aspas:
Segunda-feira, Março 16, 2009
nova fase
me dispo da roupa
como quem se despe da pele
cameloa
a manhã abençoa
a nova mulher
que nasce em mim
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6:42 PM
com aspas:
Sexta-feira, Fevereiro 06, 2009
sentir escrever sentir
O que fazer, quando acordo assim, desejando o dever de apenas sentir? Sentir e transcrever. Viver em linhas. Encontrar o absurdo nos silêncios ou a paz numa criança correndo. Ler o que os olhos escondem, entender o que um aceno carrega. Ceder os meus próprios olhos e abusar da força da minha alma, dando a ela um papel que, na verdade, é presente. Fazer o quê quando o meu desejo é existir? Apenas! E melhor: saber existir. Querer aprender a fazê-lo. Bem que podia ser oferecido patrocínio para isso. Não? Bem que podia a vida me dizer: senta e sente, está tudo certo. Nada de contas, nada de trânsito, nada de campanhas para ontem ou pressa de relógios: me deixe correr pelos teus olhos e depois escorrer nas palavras. Me esperanço em acreditar nessa possibilidade, nos intervalos da carne que seja, entre os afazeres do mundo que manda. Talvez por isso, ou por pura loucura de amar o sentir, insiste em mim essa vontade de emoção, essa vontade de trabalhar não com o corpo, mas com a alma. Solução, inda não encontrei. Mas ela um dia virá. Eu sinto.
Não pense que seria fácil. Acordar e ouvir a manhã. (Atente que ela é grito, na cidade, e você procura o que diz o silêncio). Depois, alimentar o corpo e sair à procura do mesmo para o espírito. Trafegar pelas pessoas. Não acontecer por demais entre elas, para que não se acanhem e deixem de doar a sua parte – apenas estarem ali. Absorver suas dores. E também suas alegrias. Perceber o que passa inocente e tímido entre as pressas, entre as exclamações, entre os braços estendidos à espera de um ônibus ou de uma mão. Sofrer com que chora, ouvir uma história ao telefone, recomendar a uma amiga a receita de um bolo. E fazer desse momento uma receita pra vida. Sofrer também por amor é imprescindível. Chorar, na maioria das vezes, por pura intensidade, drama, até. Sentir o corpo fraco para que expulse as palavras e reflexões. Mas também sorrir por amor, claro. Encontrar nos pequenos fatos as grandes certezas. Saber enxergá-las, usando as lentes do coração. Percebe que é uma procura constante? Um triturar de emoções? Todas, de tudo, de todos, todo o tempo.
E depois de viver e ter guardado todo esses instantes, repousá-las no pensamento, como uma mãe põe seu bebê ao berço. É preciso vivê-los mais uma vez, para que venham inteiros. Dói. Às vezes de tanto ser bom, às vezes de tanto ser triste. Transformar, depois, em físico o que até então é só sentimento: palavras e palavras e palavras. Não procuro lógica nesse processo, é essencial que ele seja espontâneo e natural. Pelo menos pra mim. Minhas percepções são exatamente o que eu vejo. O que acontece é uma vontade de registro dessas coisas que me vêm aos olhos, e ela vem sempre, ou quase sempre, impulsivamente, como um filho que nasce sem a espera dos meses. E depois é preciso um quê de desprendimento e também de não-crítica. Ou melhor: crítica sim, mas nunca a que mata. Porque ali há uma vida – na verdade, várias. Não vivi exatamente todas elas, apenas captei. Não me é direito deixar que morram numa cesta de lixo por numa exigência de formalidades. A verdade é que não costumo me importar se está bom, se tem métrica, se tem rima, se tem nexo, cadência, ciência, postura. Respeito o natural: sai como me vem. Percebo que há ainda muito o que aprender, infinitamente, mas me permito o tempo, porque é um trabalho também de maturidade. Não só em relação ao correr dos dedos, mas ao correr dos dias. Os olhos é que amadurecem. E a percepção vai ficando plena. Até o dia em que você se vê dando conselhos e escrevendo frases que os outros adotam - imagino.
O ofício de sentir... Que bom seria. Hora extra seria um prazer. Quando é demais sentir, me diga? É involuntário, inclusive. O pagamento, o suficiente para continuar vivendo – e conseqüentemente, sentindo. Seriam muitos os meus colegas de trabalho, tudo, na verdade. O escritório? Qualquer lugar. Qualquer com toda a sua abrangência.
São felizes os que vivem pra sentir, eu acho. São também infelizes, porque é preciso ser um pouco para o fazer.
Me deliciei nessa possibilidade, esparramei na cadeira do escritório, a leveza já vinha chegando. Mas o relógio acusa tempo esgotado. Um job grande me espera e minhas idéias, por agora, precisam anunciar um shopping. Enquanto isso, vou guardando as que um dia - pela força desse meu sentir - vão anunciar a vida.
posted by CAMILA LORDELO |
6:09 PM
com aspas:
Sexta-feira, Janeiro 30, 2009
blue
Meus sonhos
E vontades
Caminham sós
Por mais que eu insista
Por mais que eu tente
Por mais que exercite
Caminham sós
Minha estrada se mantém reta
Pelo medo da solidão
Me esquivo das pequenas entradas
Que namoro
No rumo dos passos
No ecoar do meu grito
É só comigo
Que converso
No abandonar dos meus planos
Finjo consolo
Nos meus versos
posted by CAMILA LORDELO |
11:34 AM
com aspas:
Sexta-feira, Janeiro 09, 2009
outros paraísos
Bocas
E caminhos
Sem juízo
Outros paraísos
Onde haja sol
E amor
Sem pudor
O medo fica pra trás
- Quem nessa vida
não é capaz
de amar?
Peito aberto
Muitos versos
Mais sorrisos
Todos os motivos
Pra se ficar até mais tarde
No coração
Pra falar sem a barreira
da razão
Tempo é coisa rara demais
Pra se perder
posted by CAMILA LORDELO |
7:54 PM
com aspas:
Quarta-feira, Dezembro 10, 2008
100 graus celsius
Intensa
Viva
Toda
Tudo o que eu quero
Eu quero pra ontem
Tudo o que toca
Me arrepia
Quem me quer de verdade
Me tem por inteira
Tudo em meu corpo
Me denuncia
posted by CAMILA LORDELO |
5:53 PM
com aspas:
Quarta-feira, Novembro 19, 2008
19.11
Para certezas, silencio. Um exercício difícil, já que o que desespera grita. (Tudo me desespera). Mas é preciso. Procuro me distrair, meus olhos anseiam, querendo disfarçar o silêncio. Abafar as agonias. Esperar, mais despretensiosamente, que elas se aquietem, discutam, se acertem. Como se não fosse eu mesma parte desse processo! Entende? Sei não se é justo comigo. Talvez seja autodefesa. Tapando os ouvidos para não me assustar com os fogos. Me divido em duas: a que necessita de ordem e a que tanto deseja alívio. Determino, com ares de mãe: entendam-se.
As ruas parecem calmas, aqui do alto o mar anda verde, cristalino e convidativo. Vejo as pessoas acontecendo na orla, suando seus prazeres, tomando um ar no Cristo. Adoro parar nesse semáforo. De meu caminho eu sei quase nada, a não ser essa parada aqui. Acho que nunca peguei esse semáforo aberto em todos esses anos. Presente da vida. Um cartão postal na minha espera, todo santo dia.
Silencio. Daqui a pouco, dezembro, semana que vem, férias, e, por enquanto, isso é tudo o que tenho de certo em mim.
posted by CAMILA LORDELO |
12:34 PM
com aspas:
Quinta-feira, Outubro 30, 2008
constatações necessárias
I.
desamar é uma espécie de exorcismo.
é preciso expulsar o outro de dentro de si.
II.
saber o valor de si mesmo é,
sem dúvida, a mais eficiente
das bolsas de gelo.
III.
há felizes coincidências nessa vida. uma
delas: um mundo de possibilidades lá fora
e um mundo de amor aqui dentro.
IV.
não há como negar a dor.
mas acreditar é preciso.
e eu não desisto. prossigo, sorrio e tatuo em mim:
me diz se tem coisa melhor do que crer
me diz se tem coisa melhor que inventar
e viver
a verdade que a gente quiser
o palpite que a gente chutar
ser rascunho em papel manteiga
se derreter
se transformar
posted by CAMILA LORDELO |
12:23 PM
com aspas:
Quarta-feira, Outubro 22, 2008
em pedaços
o que fica
o carinho do mundo
o dengo, a manha
a pele que sua
a vontade tamanha
do pra sempre
existir
(bem que podia)
a boca, o sorriso
tudo o que um dia me foi tão preciso
o encaixe no peito
o corpo, o jeito
inteiro todo
parte por parte
o que vai
talvez o que arde
o que vai,
a verdade,
é que eu ainda
não sei
posted by CAMILA LORDELO |
11:37 PM
com aspas:
Domingo, Setembro 21, 2008
Aprendizados
Tenho percebido que, por todo lugar que passo, algo de novo se ajunta ao meu eu. Uma sensação de maior vem me tomando, aos poucos. E de melhor. No fundo, no fundo, acho que sabia que poderia chegar onde estou a caminho de chegar, só não imaginava como. Me joguei. De onde veio essa força? Me descobri mais voraz, embora ainda de trejeitos delicados. Me descobri decidida. Desbravadora. Tirei não sei de onde toda essa coragem – na verdade ainda não tenho muitas certezas a respeito dela. Eu só sei que vivo... E isso tem acontecido bem. De uma maneira leve, o contrário do que eu esperava. Nem tudo é agrado, mas quase tudo me cabe. Preenche. Gosto de ver as pessoas ao meu redor, as pessoas tão novas na minha vida, tão frescas ainda, tão cheias de histórias, do que me acrescentar. E eu guardando tudo, fazendo a minha coleção. As ruas que conheci, os lugares por onde andei, os sabores que provei nos brindes, nos almoços... quanto. Encarei a solidão de frente, fingi ignorar, depois reagi, rangi os dentes, chorei. Não sei se venci ou se entramos em trégua: a verdade é que a saudade é uma coisa que me acompanha sempre, independente de onde ou com quem esteja. Saudade faz parte de mim. Compreendi e aceitei. Sei também é que sobrevivi aos meus maiores medos, cresci as minhas asas e o meu sorriso. Um ritmo delicioso vai tomando a minha vida. E começo a entrar no passo, é o que me parece. Cada porta que abro me leva a algum lugar interessante cheio de outras portas. Embora ainda seja tão insegura, aprendi a me divertir e continuar a fazer essas escolhas, aproveitando o máximo de tudo que elas me reservam. Não tenho do que reclamar. Tenho, aliás, só o que agradecer. Acreditar em Deus, nas possibilidades e no quanto ainda posso ser mais, abraçar o novo, abrir o sorriso sem medo e acolher os meus sonhos, tudo isso me é um grande presente, uma grande alegria. Sinto que vou me completando, feito um álbum. E me desvendando, feito um livro.
posted by CAMILA LORDELO |
2:31 PM
com aspas:
Terça-feira, Setembro 02, 2008
Aeroporto de Recife, 2h AM
Gosto da sensação de aeroportos. Não a de avião, esse me dói. (Tenho uma aversão estranha a pousos, pouco antes que eles comecem, invariavelmente meus ouvidos me viram uma tortura). Mas da sensação de aeroportos eu gosto. De saber que, assim como eu, há tantos também partindo. Para um novo destino, uma nova vida, para uma visita rápida, férias, trabalho, que seja. Me sinto mais segura com essa sensação: é como se cada uma das pessoas que passam por mim com suas malas e tickets me dissessem para ficar tranqüila, elas estão no mesmo barco. A coragem me toma nos aeroportos e daí eu até penso em planos de vôos mais altos. Me sinto mais leve e com asas maiores. Sorrio. Ando como se conhecesse bem o chão que piso, mesmo sendo a 1ª vez nele. Mesmo estando sozinha, me sinto de mãos dadas. Caminho confiante, como quem sabe para onde está indo – embora, algumas vezes, isso se resuma a saber o nome da cidade. Aeroportos me abrem as portas dos sonhos e essa sensação é, para mim, um agrado na vida. E, embora a dor que eu sinta nos ouvidos antes dos pousos seja irritantemente grande, nada me tira esses ares de possibilidades que carrego, junto com as malas, quando saio de cada um deles.
posted by CAMILA LORDELO |
4:38 PM
com aspas:
Quarta-feira, Agosto 13, 2008
Notícias
Saí tão às pressas, nem deixei bilhete. Viajei a trabalho e estarei longe até outubro. A distância me faz sentir mais. O trabalho, escrever menos. Hora dessas eu concilio os dois e sacudo um pouquinho essa poeira de sentimentos em mim.
Por enquanto, tudo bem. Aprendendo com a solidão, conhecendo novas almas, fazendo amigos, me defendendo e me espalhando para ter o meu lugar. Sinto saudades, mas vamos lá: economizo no drama (evoluindo!). Já se passaram 3 semanas. As próximas 7, tomara, vão passar tão rápido quanto. ; )
Já, já novas linhas virão!
beijos!
posted by CAMILA LORDELO |
12:38 PM
com aspas:
Terça-feira, Junho 17, 2008
With a little help from my friends
Meu Deus, como tenho sorte nessa vida. Eu olho para os lados e ganho sorrisos e abraços sem ao menos pedir. Eu ganho olhares sinceros, ganho ouvidos atentos, ganho mãos estendidas e carinhos de corações. Eu recebo palavras doces, e também duras, mas que contém ainda assim tanto de doçura. Tenho amigos. Amigos que não cabem nos dedos não por serem muitos, mas por serem grandes. São inteiros, são completamente, quando precisos. São alegria, companhia, força, conselhos, palavras, são tudo. Tenho amigos fiéis, verdadeiros, alguns distantes, outros mais pertos, pelos quais sinto um amor, um amor, mas um amor tão grande que me emociona só de pensar em declará-lo. Meus Deus, como eu tenho sorte. É como se por puro acaso os anjos escorregassem para o meu lado. Eu sei lá se tenho tal merecimento. Como pessoas tão especiais podem se achegar a mim? É involuntário, sem pretensões. É divino, tenho certeza. Meus amigos me acontecem sem que eu espere, quando vejo já estão lá enraizados, correntes em meu sangue. E assim como no amor, quando amo, amo infinitamente, amo verdadeiramente, defendo com toda a força que tenho, protejo até onde posso, guardo por todo um sempre. Sou incondicional, invariável, permanente. Me sinto completa, mesmo se vazia. Me sinto forte, mesmo quando fraca. Me sinto mais gargalhada, mais viva, mais terna; perco, com todo o prazer do mundo, o tempo que tiver de se perder - na verdade, ganho.
Meus amigos, meus complementos de alma, minha endorfina constante, meu melhor abraço, endereço de minhas alegrias, meus presentes de Deus. Tenho que ser uma boa menina. Tenho que me esforçar todas as horas de todos os dias. Muito, infinitamente. Não posso, por nada nesse mundo, perder este merecimento.
Amo todos vocês.
posted by CAMILA LORDELO |
11:49 AM
com aspas:
Segunda-feira, Maio 19, 2008
Ai, eu ando um caco.
Desfaleço por dentro
E por fora sôo nada robusta:
Não disfarço.
Um trapo.
Colecionando lenço molhado.
Lata no meio da rua
De cara pro atropelo
Caixa de correio vazia
Segredo sem zelo
Um punhado de sal invadido
Por um mar inteiro.
Um rato.
Procurando abrigo, alento,
um canto, bueiro.
Sem tato.
Sem trato.
Sem freio.
posted by CAMILA LORDELO |
3:58 PM
com aspas:
Terça-feira, Maio 06, 2008
(embora não o faça direito)
Tenho medo de quase nada
Embora tanto pareça assustada
Quando me vem a escuridão
É mais forte o que tenho aqui dentro
É mais denso o que me sustenta
Venha sopro, brisa, tempestade,
furacão.
Aprendi a digerir o que me assombra
A prender as inseguranças nas grades
que pela vida me foram cedidas:
as linhas.
É nelas que eu me transbordo
É por elas que eu me entendo
me componho, me defendo
e acredito mais em mim.
O papel em branco é a minha pauta,
É para mim, assim, como um trevo.
Escrevo porque respiro
Respiro porque escrevo.
posted by CAMILA LORDELO |
6:58 PM
com aspas:
Quinta-feira, Abril 17, 2008
socorro
Iodo, gase, éter, uma linha, correndo, correndo, costurem! Anti-hemorrágico, soro, lavagem, oxigênio; cirurgiões, enfermeiros, residentes, milagreiros! Morfina! Sangue tipo A, tipo B, tipo O, qualquer tipo. Entubação, massagem cardíaca, desfibrilação, o que for possível...
Por Deus.
Por tudo.
Não deixem esse amor morrer.
posted by CAMILA LORDELO |
10:31 AM
com aspas:
Segunda-feira, Abril 14, 2008
riminha
Escrevo
Enquanto vejo
A bailarina decifrar a canção
Dança ela com os dedos do pé
Danço eu cá com os dedos da mão
posted by CAMILA LORDELO |
11:49 AM
com aspas:
Quarta-feira, Março 19, 2008
Fraqueza
Preciso da calma do simples
do que é e pronto
sem muitos rodeios
preciso calar essa agonia maluca
meu olhar sempre à caça
meus cortes sem freios
um meio termo, que seja
brandura no bruto
preciso de um meio
não importa quão for a grandeza
lá vem minha crítica
saltar o imperfeito
e isso ainda assim
sabendo eu
ser desse jeito
torto, primário, errôneo
tão cheia de defeito
p-e-r-f-e-c-c-i-o-n-i-s-m-o
insensível e inconsciente
obsessão
(Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!)
eu bem sei desse peso
mas no impulso da hora
pareço que não
posted by CAMILA LORDELO |
7:30 PM
com aspas:
Quinta-feira, Março 13, 2008
Mil enredos
Assim assado mesmo, não repare a falta de clareza: quero definição apenas onde, por agora não, posso ter. Um brinde aos desejos bêbados que vêm, outro às certezas sóbrias que também virão! Ansiosamente, amém. (Parênteses: eu já falei da cor dos seus olhos, de como eu amo encontrar cada dia um tom diferente? Escala pantone! Luz refletindo em seu rosto, me ocorreu. Fecha parênteses.) O que eu sei por hoje, sentada nessa calçada, é que a noite é tão linda e tão rara, apesar de acontecer todo dia, escondida, calada, murcha, coitada, por trás de nossas cortinas, em frente à nossas janelas. E nossa pressa que roubou essa nobreza. E essa agonia que se acumula nas agendas, e despeja as linhas dos versos para pôr no lugar linhas cheias de compromissos. Pausa. Pausa. Um olhar sobre as unhas e mais um gole. Se você quer saber a verdade, eu choro, eu acho, por tudo: pela distância que há dentro do estar perto, pelas reticências deixadas feito migalhas atrás de nossos passos, pela falta de poesia das coisas, poesia essa que eu não escrevo quando mais devo. Ou apenas por intensidade, mania de drama, sensibilidade mal canalizada, falta de academia. E, olha, esse papo já está louco demais, a hora tarde demais e, convenhamos, essa garrafa bastante vazia.
posted by CAMILA LORDELO |
7:13 PM
com aspas:
Quarta-feira, Fevereiro 27, 2008
Precipitando
Diluir o medo
Solidão rondando
Entre beijos e juras e telefonemas
Um vazio insiste em pairar
No ar
(Achei que a poeira
tivesse assentado
- Tudo errado! -
Vontade de escancarar a janela
E o coração).
Como fazer agora que já sou você?
Como fazer se os lençóis já são para dois?
Cortar-me em meia
depois de ser inteira
O vinho sobrando na geladeira
E o amor
O amor
Inconsolavelmente
Ainda amor
posted by CAMILA LORDELO |
12:05 AM
com aspas:
Quinta-feira, Fevereiro 07, 2008
Sou uma eterna procura
Agulha no palheiro
Abrigo em temporal
jornal de empregos
Sou o desejo que corre
Sorrindo coisa maluca
E que por tanta velocidade
Vive em foto de multa
Deve haver freio
Um meio
De parar em teus braços
Eu sou o sentimento de agora
Querendo pular, sufocado,
Do peito pra boca
Da boca pra fora
posted by CAMILA LORDELO |
7:38 PM
com aspas:
Segunda-feira, Janeiro 14, 2008
Não se assuste, pessoa...
Embora o trânsito insista que não; que a pressa me impeça; que a montanha de trabalho tente me barrar; embora o sol esteja lindo no céu e o escritório um gelo; ainda que os telefones e relógios não parem e o dia 20 se aproxime; mesmo que sua calma se confunda, às vezes, com o desânimo; por mais que a pele insista em expulsar o que a boca não consegue fazer; eu desço o vidro do carro, eu ergo minha arma pra luta, fecho os olhos pra sentir o mar cá de cima e não me rendo, não me desprendo do sorriso nem da canção que se faz hino aqui dentro: “eu sou, eu sou...eu sou o amor da cabeça aos pés.”
posted by CAMILA LORDELO |
4:02 PM
com aspas:
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